sábado, 27 de janeiro de 2018

Índia

Certa vez, vi em um filme uma personagem descrevendo a Índia como "um lugar incrivelmente  agressivo para os sentidos". Não poderia haver melhor descrição - no bom e no mau sentidos. 
Os ruídos, os odores, as cores, os sabores... tudo é extremo. 
Tudo é controverso, até mesmo um simples caminhar: andar pelas ruas é ver fabulosas e coloridas construções históricas e, ao mesmo tempo, ver o esgoto que corre a céu aberto; é sentir o aroma de incenso e de temperos, misturado com o cheiro de fezes de animais; é ouvir o lindo som de mantras e  de música indiana, sufocados pelo irritante ruído das buzinas que te levam à loucura (não, eles não respeitam as mais elementares regras de trânsito). 
A comida é um espetáculo à parte: provoca em nós sensações até dantes desconhecidas e, uma vez longe dela, você se pergunta se poderá viver sem ela. 
E o tato não fica de fora: as pessoas indiscretamente te tocam, seja para pedir dinheiro, seja porque nunca viram uma cor de pele igual à sua.
As ruas nos centros antigos são estreitas e comportam desde pedestres, motocicletas, riquexás e carros, a vacas. Cada um precisa lutar pelo seu espaço: há que ser paciente e esperar aquela vaca sair do seu caminho; há que refugiar das motocicletas que constantemente aparecem de inopino. E não adianta entrar em desespero: é melhor se resignar.
O povo também é algo de controverso. Vemos, nas ruas, muitas pessoas portadoras de deformidades (talvez em razão de um sistema de saúde falho), porém, sempre com um sorriso no rosto, já que encaram seus problemas como sendo parte de seu kharma. E, embora seja um povo dócil, é um dos lugares com um dos maiores índices de violência contra a mulher.
Mas um fato é incontestável: foi uma das melhores, se não A MELHOR viagem de minha vida. E tenho a impressão de que quem vai à Índia nunca mais retorna o mesmo.

Antes da viagem: é necessário um visto para entrar na Índia, mas o site oficial do governo é muito confuso. Há a possibilidade de se obter um visto eletrônico, que é mais prático e muito mais barato. Porém, como não consegui perceber isso com facilidade na página, acabei por obter o visto convencional, pagando muito mais caro por isso, além de ter de ir até o consulado indiano, em São Paulo, para fazer a biometria (vistos convencionais exigem prévio cadastro biométrico). Então, sugiro que pesquisem com calma, até encontrar a opção do visto eletrônico (e-visa), o qual, inclusive, tem validade por um período razoável. Por outro lado, é preciso ter cautela, pois ouvi relatos de sites falsos oferecendo vistos indianos, e de pessoas que foram enganadas e acabaram por perder seu dinheiro. 

03/10/2017
Saímos do aeroporto de Guarulhos, viajando pela companhia aérea Emirates. A viagem foi longa e um pouco cansativa, com conexão em Dubai.
Logo que cheguei em Nova Delhi, fiquei impressionada com o plano da cidade. Há avenidas espaçosas e grandes vias - embora o trânsito seja caótico. Há milhares de veículos lutando por um espaço, buzinando sem parar - aliás, não importa em qual cidade indiana você esteja, perceberá que os motoristas dirigem com a mão na buzina, para avisar que "estão chegando". É uma poluição sonora sem igual. 
Nosso hotel (Hotel Perfect) ficava no centro antigo, em uma área com um comércio intenso, chamada Karol Bagh. Nessa região da velha Delhi, as ruas são mais estreitas, sujas e caóticas. 
Chegando ao hotel e depois de descansar um pouco, saímos para conhecer a cidade. O próprio hotel organizou um táxi que nos levou a alguns pontos turísticos, por um preço previamente combinado de 1.200 rúpias para o casal (o que equivale a uma média de R$60,00 - sessenta reais).

A primeira parada foi Humayun Tomb (entrada 500 rúpias), mausoléu do imperador mogul Humayun, datado do Séc. 16. Sua arquitetura inspirou a construção do Taj Mahal.


No mesmo complexo está a Tumba de Isa Khan, também do Séc. 16:

Em seguida, passamos pelo India Gate, caminhando um pouco pela praça. Este memorial, em forma de arco, foi erguido para homenagear os 90.000 soldados indianos que pereceram na Segunda Guerra Mundial e em outras batalhas.

Sem descer do táxi, por ser área de segurança nacional, passamos diante da casa presidencial (House of President), bem como do Parlamento, ambos com arquitetura totalmente europeia (construção datada de 1914/1931).


Por fim, fomos ao Birla Temple, um templo hindu, de cor amarela e laranja, pouco turístico, frequentado pela população local.

Jantamos no agradável terraço aberto do nosso hotel, decorado com estátuas, pergolados, plantas e muitas luzes. Foi nossa primeira refeição indiana e ficamos inebriados pela explosão de mil sabores diferentes em nossas papilas degustativas.

04/10/2017
Fizemos novamente um passeio com um táxi organizado pelo hotel, que durou o dia todo, pelo preço fechado de 2.000 rúpias (aproximadamente R$100,00).

O primeiro destino foi o Qutub Minar (entrada 500 rúpias), um pouco afastado do centro de Delhi. Caminhamos pelo complexo, cuja atração principal é o imponente minarete. Os primeiros monumentos foram erigidos na época do sultanato (quando a Índia ficou sob o jugo dos islâmicos), no Século 12. O minarete, em estilo arquitetônico afegão, foi construído pelo sultão Qutb-ud-din, no ano de 1193, para proclamar sua vitória sobre os hindus. Conta com 73 metros de altura, contendo escritos do Alcorão, em alto relevo. Aos pés do minarete está a primeira mesquita construída na Índia.





Em seguida, fomos ao Gandhi Smriti (gratuito), residência onde Mahatma Gandhi passou seus últimos dias e onde foi assassinado, em 1948. No imóvel, podemos ver seu quarto, seus pertences (que eram poucos, pois ele era um homem de hábitos austeros), diversos painéis fotográficos e muitas de suas frases imortalizadas. Uma trilha de pegadas em cimento leva ao local onde ele foi alvejado, quando ia fazer suas orações diárias.




Para o almoço, o taxista nos levou a um restaurante muito tradicional, que é assustador por fora, mas oferece uma comida deliciosa. Confesso que fiquei mais tranquila ao avistar o selo do Trip Advisor na porta. Comemos batata recheada com queijo cottage e molho de castanha de caju. Mais uma deliciosa e surpreendente refeição indiana, com sabores indecifráveis.

À tarde, fomos visitar o grandioso Red Fort (entrada 500,00 rúpias), construído entre 1638 e 1648,  para fins de proteção, pelo imperador mogul Shah Jahan (o mesmo que construiu o Taj Mahal), no ápice de seu reinado. O último imperador da era mogul, Shah Zafar, viveu neste forte, até ser exilado pelos britânicos em 1857.



A principal entrada do forte é o "Lahore Gate".

Em seguida, passa-se ao "bazar" e à "casa dos músicos", que abrigava, além dos músicos reais, também cavalos e elefantes dos visitantes.



Depois, vê-se o "hall de audiências públicas", que são grandes arcadas cobertas, feitas em arenito vermelho, e "hall de audiências privadas", feito em mármore branco, onde o imperador recebia dignitários e hóspedes. 

Trono de mármore do hall de audiências públicas:

Hall de audiências privadas:


Detalhe da "pietradura", que é um trabalho de entalhe, feito no mármore e preenchido com pedras preciosas ou semipreciosas:



É possível ver, também, o que restou dos aposentos privados do imperador:



Retornamos ao hotel e a partir deste momento, estaríamos acompanhados por um grupo.

Isso porque boa parte da viagem resolvemos fazer com uma agência de turismo australiana chamada Intrepid Travel, que tem uma proposta bem diferente de roteiros (grupos pequenos, pessoas jovens e destinos exóticos) e que organiza, principalmente, o transporte entre uma cidade e outra, acomodação, alimentação, alguns passeios e atividades extras. Naquela noite, tivemos nosso primeiro encontro, que aconteceu no hotel, ocasião em que o guia e líder do grupo passou instruções gerais da viagem e do roteiro. Após, todos saímos para jantar e tomar uma cerveja.


Dicas sobre a comida: cada lugar tem tradições e hábitos diferentes no que tange à alimentação e higiene e, se não estamos acostumados, podemos passar mal. Isso vale para qualquer lugar! Algumas dicas que posso dar são: não comer nada cru (saladas, vegetais) e comer somente frutas que você mesmo descasca; ingerir alimentos sempre cozidos; evitar carnes (frango, peixe, vaca e porco) e recusar alimentos que as pessoas te entregam após tocarem diretamente com as mãos (na realidade, acho que essa é a principal fonte de contaminação: tocar os alimentos com as mãos sujas); evitar laticínios. Não se preocupe... ainda sobra muita coisa deliciosa para comer! Os cozidos de vegetais, bem como os vegetais assados no forno tandoori (forno de argila) são absolutamente deliciosos e satisfazem a fome. 
Eu escovei meus dentes com água da torneira e não tive problema nenhum. Mas, para beber, a água dever ser mineral (de garrafa, e não de galão).
Felizmente, com os cuidados que tomei, não tive nenhuma intoxicação alimentar e nenhum problema de saúde, fora uma leve dor de garganta.

05/10/2017
Após o interessante café da manhã no terraço do hotel (em um momento de descuido, um corvo furtou a omelete do meu prato, antes mesmo de eu prová-la), fomos com o grupo caminhar pelo centro histórico de Delhi (Old Delhi). As ruas são bastante estreitas e apinhocadas de lojas e barracas, sem mencionar o trânsito caótico e os animais buscando um espaço para se locomover. Podemos ver até mesmo pessoas tomando banho nas ruas, usando bacias e caneco. Tudo é muito colorido e os odores assaltam seu olfato. Os cheiros, bons e ruins, se mesclam, como o de incenso com fezes de animais.


Fomos à mesquita Jahma Mashid. Esta é a maior mesquita da Índia e foi a última grandiosa obra arquitetônica de Shah Jahan, construída entre 1644 e 1658. A entrada é gratuita, mas você precisa pagar 100,00 rúpias se quiser usar sua máquina fotográfica (ou celular) para tirar fotos. Sapatos devem ser removidos na entrada e é preciso usar uma espécie de túnica por cima de sua roupa, cedida gratuitamente no próprio local.

Em seguida, fomos a um templo pertencente à religião sikh, em Old Delhi. Os sikhs foram muito perseguidos por outras religiões, sendo que um dos imperadores moguls, chamado Aurengzeb (filho de Shah Jahan e um dos líderes mais sanguinários do império mogul), certa vez, convocou o líder e guru sikh para uma reunião e o decapitou, diante dos olhos de seus próprios seguidores. A partir deste evento, os sikhs criaram uma irmandade e um exército próprio. Todos eles andam armados de uma faca. Além disso, usam um aro de prata no pulso, não cortam seus cabelos ou barba e usam turbantes coloridos. Angariaram fundos e detêm muita riqueza. Seus templos são muito confortáveis, possuindo, até mesmo, ar condicionado. Lá são preparadas refeições comunitárias e gratuitas, por voluntários. Eu também ajudei, na cozinha comunitária, a fazer chapati (pão).



Retornamos ao hotel, compramos lanches e fomos até a estação de trem, para apanhar o trem noturno que nos levaria ao Rajastão. 

Dormir no trem foi algo assustador para mim. Achei desconfortável, principalmente pelo fato de que a cabine é aberta e pessoas ficam transitando madrugada afora, perto de sua cama. E o banheiro é bastante fétido. A viagem durou 19 intermináveis horas, das quais dormi, no máximo 3. Quando eu quase pegava no sono, o bendito vendedor de chá passava gritando "chai, chai, chayaaa"... e todo esforço para conseguir dormir ia por água abaixo.



Rajastão: o guia Lonely Planet descreve esta mágica região como "terra de reis e reinos, de marajás e fábulas, e de fortes majestosos e generosos palácios". As fortalezas são magnificentes e nascem do plano deserto, como em contos de fadas. É uma das regiões mais incríveis da Índia, com belezas arquitetônicas, naturais e com uma cultura intensa e vibrante, tanto quanto as cores das roupas de seus habitantes.
O Rajastão foi o berço da dinastia Rajput, um clã de guerreiros destemidos que controlaram esta parte da Índia por mais de 1000 anos. Eram guiados por ideais de honra e bravura, e quando a derrota pelo inimigo era certa, a regra era o suicídio (inclusive suas esposas e filhos, os quais se atiravam ao fogo para encontrar a morte). Os Rajputs firmaram alianças com os Britânicos, o que permitiu que eles continuassem independentes e fortes, embora sujeitos a certas limitações políticas e econômicas. Os Britânicos foram responsáveis, também, pela corrupção dos governantes: no século 20, muitos dos marajás se entregaram ao consumismo e aos hábitos ocidentais e passaram a se dedicar menos às suas funções. Tanto que, após a independência em relação à Grã-Bretanha, o Rajastão passou a ser uma das regiões mais pobres da Índia. 
Nesta ocasião, o Congresso indiano fez um trato com os autônomos estados do Rajastão, para que se juntassem à nova Índia: perderiam boa parte de sua autonomia; porém, os marajás poderiam manter seus títulos e propriedades e passariam a receber uma mesada anual. Esses benefícios foram abolidos apenas nos anos 70, por Indira Gandhi, que também sequestrou os direitos de propriedade dos marajás. 

06/10/2017

Senti-me hipnotizada quando cheguei à fantástica cidade de Jaisalmer, no mais remoto recôndito do Rajastão. Trata-se de uma cidade fortificada e uma das poucas onde há habitantes vivendo dentro das muralhas. A fortaleza foi construída em arenito amarelo, dando uma tonalidade dourada à cidade (por essa razão é chamada de "a cidade dourada").
A cidadela foi fundada no ano de 1156, por Jaisal, líder da dinastia Bhati Rajput, que permaneceu no poder até 1947, ano da independência em relação aos britânicos. Os habitantes acreditam ser descendentes diretos do deus Krishna. Jaisalmer tinha uma posição estratégica na rota comercial entre Índia e Ásia Central, sendo local de parada das caravanas, mas com o advento do trem, a cidade perdeu muito de sua importância e começou a decair. Hoje em dia, a pequena cidade vive basicamente do turismo e das atividades militares levadas a cabo na região.



Deixamos as coisas no hotel Deepak Rest House - hotel razoável, com boa localização e boa comida, mas muito quente, pois não tinha ar condicionado. Em seguida, partimos para um safari de camelo, no deserto de Thar. O trajeto sobre o camelo durou 1h30, quando finalmente chegamos à tenda onde passaríamos a noite. Assistimos a um por-do-sol magnífico. Depois comemos um tradicional jantar rajastani, preparado pelos condutores de camelos, que também entoavam cânticos. A areia, de repente, ficou coberta de besouros,  mas que eram inofensivos. Dormimos ao ar livre.






 


07/10/2017
Algumas pessoas do grupo retornaram de camelo e outras de 4x4. De volta a Jaisalmer, um guia local nos levou para conhecer o interior da linda cidade fortificada, passando por diversas construções ornamentadas com havelis (fachadas das residências esculpidas em pedra, que parecem um bordado, de tão detalhado). Passamos por diversas residências de dignitários, nobres e homens de grande poder aquisitivo, como:

- Fort Palace (Raja-Ka-Mahal e Rani-Ka-Mahal): era a residência oficial do reino, sendo que o Raja-Ka Mahal era o palácio do próprio governante e o Rani-Ka-Mahal era o palácio das mulheres (esposas e concubinas).




- Muralhas: subimos nas muralhas, onde ainda se pode encontrar canhões e que proporcionam uma ampla visão da cidade intra e extra muros.

- Nathmaljiki haveli: construída no Século 19, como casa do primeiro ministro. O exterior foi esculpido por dois irmãos, em uma espécie de competição entre eles. No interior, há afrescos feitos em ouro folheado e uma loja de souvenirs, dirigida pelos descendentes do proprietário original (com preços totalmente acima da média - cerca de 3 x mais).



- Patwa ki haveli: é o maior imóvel esculpido em havelis, com intrincado trabalho na pedra, fazendo lembrar uma colmeia. É dividido em cinco seções e foi construído entre os anos de 1800 e 1860, por cinco irmãos que fizeram fortuna no ramo de jóias. Defronte ao prédio, havia um vendedor de coloridos marionetes (teatro de marionetes é uma arte muito popular em Jaisalmer).










Almoçamos no Restaurante da Mônica, um prato delicioso chamado "malai kofta".
Depois da refeição, fomos à cooperativa da agência de turismo, onde são vendidos tecidos, tapetes, colchas, capas de almofada, tudo feito em patchwork, trabalho que é tradição da cidade de Jaisalmer. Porém, os preços dos produtos na cooperativa estavam muito acima da média do restante da cidade.
As vacas circulam livremente e em grande quantidade pela via pública, sendo alimentadas pelos populares. Elas dão um toque ainda mais exótico às coloridas ruas.





Nosso jantar foi muito divertido. Foi um jantar temático, sendo que a dona do hotel gentilmente emprestou seus lindos e coloridos saris às mulheres do grupo e seu marido fez o mesmo, cedendo roupas aos homens. Todos nós, então, jantamos à caráter, uma deliciosa refeição no buffet do restaurante do hotel, que ficava no topo da muralha e proporcionava uma vista inacreditável, ao som de um instrumento típico do Rajastão.





08/10/2017
Acordamos bem cedo para evitar o calor (a temperatura estava, em média, 42o celsius) e fomos até o lago da cidade. Para nossa surpresa, havia pessoas tirando fotografias para catálogos de propaganda, então pudemos ver mulheres dançando à beira do lago, enquanto fotógrafos clicavam sem parar.



 
 




Caminhamos na beira do lago e depois retornamos à fortaleza, contornando as muralhas para visualizá-las de todos os ângulos. Fizemos algumas compras também.



Depois disso, entramos para visitar a parte interna do palácio principal da cidade, o Fort Palace, onde vivia a realeza, composto pelo Raja-Ka-Mahal (palácio do rei) e Rani-Ka-Mahal (palácio da rainha). O interior é bem mais simples e menos impressionante do que a parte exterior. Os pontos mais interessantes do palácio são os aposentos do rei, com pinturas e mosaicos de espelhos coloridos nas paredes e teto; uma galeria de esculturas jainistas, doadas ao palácio; uma sala com os retratos de imperadores Rajput, bem como as sacadas e o topo do palácio, de onde é possível ver a cidade inteira, inclusive as muralhas, onde eram deixadas bolas de rocha a serem jogadas nos inimigos que tentavam escalar a fortaleza.







 




Em seguida, visitamos os lindos templos jainistas de Jaisalmer, que são em um total de 7, ligados uns aos outros. A entrada é gratuita, mas você acaba sendo exortado a pagar para alguém tomar conta de seus sapatos, que devem ser deixados na entrada do templo (assim como itens feitos em couro, como carteiras). Além disso, na parte interior, algumas pessoas com interesse em ser seu guia e, obviamente, ganhar algum dinheiro com isso, te abordam e começam a conversar, explicando sobre o lugar. Caso não tenha interesse, simplesmente diga “não, obrigado”. Se não adiantar, persevere na negativa. Os templos jainistas foram construídos nos Séculos 15 e 16, em arenito amarelo, e possuem intrincadas esculturas em suas paredes externas e internas, retratando deuses, seres celestiais, animais, dançarinas, etc., inclusive algumas imagens eróticas. Incenso de sândalo é queimado, para perfumar o local.

O jainismo é uma religião que surgiu no século sexto antes de Cristo, como uma reação contra o sistema de castas e rituais impostos pelo hinduísmo. Foi fundado por Mahavira, um contemporâneo de Buda. Eles acreditam que a salvação é atingida através da completa purificação da alma, o que pode ser feito por meio de privações e de uma vida austera, com jejum e meditação. Retidão é essencial, bem como a prática da ahimsa (não violência). Isso significa não praticar a violência, seja em pensamentos ou em ações, em face de outros seres vivos. Atualmente, apenas 0,4% da população na Índia é jainista.


















Almoçamos no hotel e descansamos um pouco.
No final da tarde, novamente caminhamos ao redor do forte, para ver suas nuances de cores ao por-do-sol. A fortaleza e cidade adquirem uma tonalidade dourada, graças ao arenito amarelo. Perambulamos pelas ruelas, sem rumo certo, observando as pequenas casas dos moradores. Por vezes, era possível observar seu interior e pudemos ver as pessoas que ali habitavam, em seus afazeres diários.

















Fomos jantar na casa de uma gentil família brâmane, que é a casta hindu mais alta. Ele nos explicou muitas coisas a respeito de sua religião, seus hábitos e sua cultura.



09/10/2017
Apanhamos o trem cedo, rumo à cidade de Jodhpur, a cidade azul. Os brâmanes (a casta hindu mais alta) pintavam suas casas de azul, até que pessoas de outras castas passaram a fazer o mesmo, o que deu esta tonalidade azulada à cidade (acreditavam que a cor azul nas paredes repelia insetos).
A viagem durou cerca de 6 horas. Assim que chegamos, fomos diretamente ao delicioso hotel Jagat Vilas, que era, na realidade, a residência de um dignitário, parente do atual marajá. A casa tem um claustro, com um lindo jardim, onde sentávamos para tomar drinks. Almoçamos lá.

A cidade de Jodhpur começou a surgir no século 15, ao redor do forte Mehrangarh, este último construído por Rao Jodha, governante da dinastia Rathore Rajput. O reino dos Rathore Rajput prosperou graças ao comércio de sândalo, ópio, tâmaras e cobre e controlava uma área que ficou conhecida como Marwar (terra da morte), que fazia fronteira com Mewar (Udaipur) ao sul, Jaisalmer a nordeste, Jaipur ao leste e Paquistão ao oeste.
Jodhpur ficava na rota comercial entre Delhi e Gujarat.




À tarde, fomos visitar o majestoso forte Mehrangarh, de onde era possível ter uma ampla e linda vista da cidade azul. O forte é imponente, erguendo-se perpendicularmente sobre rochas e a elas se amalgamando, sendo um dos fortes mais magnificentes da Índia. Suas muralhas atingem 36 metros. Foi construído por Rao Jodha, em 1459, e expandido por seus sucessores. Na muralha do portão interno ainda é possível ver marcas de balas de canhão, resultantes da guerra com a vizinha Jaipur. O portão contém lanças horizontais, em ferro, para deter elefantes de guerra.









Logo após o portão, é possível ver “satis”, que são impressões das palmas das mãos da viúva real, a qual era obrigada a se suicidar, atirando-se às chamas da pira funerária de seu marido marajá, quando ele falecia. Essa prática foi felizmente abolida pelos ingleses.


Vale a pena visitar o museu do forte: um labirinto de pátios e corredores, repletos de sacadas e pórticos, delicadamente esculpidos e ornamentados em pedra, que parecem um bordado. Essas espécies de telas permitiam que as mulheres observassem os acontecimentos dos pátios internos, sem serem vistas. Há no museu, ainda, coleções de armas, liteiras, berços das crianças da realeza e pinturas.




Visitamos também os aposentos reais, passando pelo "Moti Mahal", que era usado para encontros oficiais e recepções, decorado com vidros coloridos e pinturas.





Após visitar o forte, descemos pelas ruelas, visualizando as pequenas casinhas azuis e minúsculos templos que as permeavam.


Um templo:


Quanto mais nos aproximávamos do centro, mais o caos se instaurava. Ruas abarrotadas de pessoas, motocicletas, vendedores insistentes e muita poeira. Finalmente, atingimos o coração da cidade, a clock tower, que fica na praça do mercado Sardar. Neste local de comércio intenso, pessoas vendem suas mercadorias em lojas, barracas ou mesmo no chão. São comercializadas roupas novas e usadas, bijuterias e coloridos saris. Em uma das entradas da praça do mercado há uma famosa loja de lassis (iogurte indiano, batido com frutas e muito popular entre os turistas).



Caminhamos por uma das ruas principais, onde há várias lojas de comidas, inclusive uma grande lanchonete que vende samoosas (iguaria indiana, que parece um pastel, recheada de vegetais).


Retornamos, então, ao hotel, tomamos cerveja e pedimos pizza.

10/10/2017
Pela manhã, vistamos o Palácio Umaid Bhawan, uma construção do ano 1929, em estilo europeu e que oferece pouco interesse histórico, embora tenha proporções imponentes. Ele é decorado no estilo art deco e abriga uma coleção de obras de arte, relógios exóticos e, nada menos que uma coleção de rolls royces. O atual marajá, Gaj Singh II, ainda reside em parte deste imóvel. Outra parte do palácio foi transformada em um hotel de luxo.




Apanhamos um tuk-tuk que nos levou ao Jaswant Thada, o crematório real, construído no ano de 1899, em mármore branco, em memória do marajá Jaswant Singh II e que proporciona uma linda vista do forte Mehrangarh. O crematório possui janelas com jalis (telas esculpidas em mármore).







Retornamos ao hotel, almoçamos e passamos o resto da tarde descansando no refrescante pátio.

11/10/2017
Um ônibus nos levou de Jodhpur a Udaipur. Foram 5 horas e meia de viagem, que foi tranquila, exceto pelo adolescente que vomitou dentro do veículo, atingindo, inclusive, uma de nossas companheiras de viagem. Da estação rodoviária apanhamos um tuktuk que nos levou ao hotel Haveli Narayan Niwas, bastante aconchegante e limpo e que tinha vista para o lago Pichola.


A cidade é rodeada por lagos (daí seu apelido: cidade dos lagos) e é um dos destinos mais românticos da Índia.

Lago Pichola:





Udaipur foi fundada em 1568 pelo governante (maharana) Udai Singh II. Era constantemente invadida pelos imperadores moguls, até que no século 19 foi firmado um tratado entre os britânicos e o maharana de Udaipur para proteção desta região contra invasores, com a manutenção da autonomia dos governantes. Ainda há uma família real, que reside no palácio da cidade. 

Após almoçarmos no restaurante do hotel, fomos visitar algumas lojas de prataria, roupas e pintura em miniatura (sendo esta última a especialidade da cidade).

Fomos até o Gangaur Ghat, um local com degraus, onde as pessoas descem para se banhar no lago e  crianças brincam e mergulham. Lá também está localizado o Bagore-ki-haveli, um belo haveli (prédios delicadamente esculpidos em pedra) do Século 18, construído por um ministro.



Fizemos algumas compras nas incontáveis lojas do centro turístico, que fica às margens do lago. É preciso barganhar bastante.

Jantamos no agradável Rainbow Restaurant, que também tem vista para o lago, regados à piña colada. Os palácios e construções estavam iluminados e refletiam nas águas do lago Pichola. Eles oferecem uma sobremesa deliciosa, parecida com um brownie, que vem fumegante na chapa, acompanhado de sorvete.




12/10/2017
Este dia foi dedicado a atividades extras e ao relaxamento.
Às 6h30, fizemos uma aula de Yoga no terraço do hotel, com o professor Dr. Sri Ram. A vista da aurora à beira do lago era magnífica.



Tomamos café da manhã e nos preparamos para a próxima aula: culinária. Os três professores, que tinham uma cozinha muito moderna e bem equipada, nos ensinaram a preparar diversos pratos indianos, inclusive curry. Ajudamos a preparar a refeição indiana que depois devoramos.




Na parte da tarde, fui fazer uma relaxante massagem ayurvédica no Hemant Massage Parlour (um negócio familiar, pequeno, simples, mas bastante aconchegante). Aproveitei para fazer uma tatuagem de hena na mão.


À noite, fomos ao centro cultural/museu Baghore-ki-Haveli, assistir a um espetáculo de danças típicas do Rajastão. Cada microrregião possui uma determinada dança típica, que por vezes consistia em equilibrar diversos potes de cerâmica na cabeça, vasilhames com fogo, entre outros, tudo sem perder o ritmo. Houve, também, uma apresentação de marionetes. Foi muito interessante!





Jantamos no próprio hotel.

13/10/2017
Após tomarmos café da manhã do restaurante Rainbow, apanhamos um tuk-tuk até o Palácio das Monções, Sajjan Garh, que fica no topo de uma colina e era usado pela família real na época das  longas chuvas. Apesar de a construção em si não oferecer muito interesse, a vista a partir daquele ponto é magnífica.


 

No caminho, passamos por outros lagos e palácios e vimos elefantes no meio da estrada, embrenhados no meio de outros automóveis e motocicletas, como se fossem um meio de transporte qualquer.




Quando retornamos ao centro de Udaipur, descemos perto do arco Gangaur Ghat, onde vimos algumas pessoas se banhando.






Fomos, então, ao interessantíssimo templo hiduísta Jagdish, construído em 1651 pelo governante Hagat Singh, que também fica às margens do lago, no centro turístico. Lá, crianças quiseram tirar fotos conosco (aliás, em todos os lugares na Índia, muitas pessoas pediam para tirar fotos conosco -  e nos sentíamos estrelas de Hollywood. Ou Bollywood).







Em seguida,  fomos ao vizinho City Palace. A família real ainda reside em parte deste palácio.











Descemos as rampas até a beira do lago, passando por um café e chegando até o porto de onde saem os barcos de passeio. Deste ponto, há uma bela vista para o palácio de verão do Marajá, que hoje funciona como um hotel de luxo e restaurante.




Fizemos mais compras na volta, pelas ruas enfeitadas para o festival Diwali.


O jantar foi no restaurante e Hotel Udaigarh, onde gravaram algumas cenas do filme The Best Exotic Marigold Hotel, e que também oferecia uma linda vista para o lago e para o palácio.






14/10/2017
Muito cedo pela manhã (por volta de 5h00), apanhamos um trem para Ajmed e depois um táxi para Pushkar. A viagem durou aproximadamente 5 horas e meia. Nos acomodamos e almoçamos no Hotel New Park (que não era muito bom) e depois de descansar um pouco, fomos caminhar pelas ruelas, passando pelo infinito bazar, onde as lojas vendem toda sorte de itens, de pós coloridos a espadas. Entre as lojinhas de cacarecos, vez ou outra nos deparávamos com pequenos templos, onde havia devotos orando.



Pequeno templo dedicado ao deus-elefante Ganesh:



Fomos, ainda, ao lago sagrado, que fica no centro da cidade. Ele é margeado por 52 portões de banho (chamados de ghat), onde há escadarias que levam até a água. Para os hindus, um banho neste lago os purifica de todos os seus pecados. E o curioso é que as mulheres, que sempre tão pudicas, banham-se seminuas. As cinzas de Mahatma Ghandi foram atiradas aqui.


No coração da cidade, encontramos um templo de Brahma, que é um dos poucos templos no mundo dedicado àquele deus hindu.
A cidade de Pushkar é sagrada e tem algumas peculiaridades: o álcool é totalmente proibido, mas o uso de maconha é tolerado (acreditam que o deus hindu Shiva fumava a erva). Não é a toa que a cidade é repleta de hippies ocidentais. É um local de peregrinação e todo hindu deve visitar esta cidade ao menos uma vez em vida.

Jantamos no restaurante Out of the Blue, muito animado.

15/10/2017
Bem cedo, para evitar o calor, fomos visitar o templo Savitri, que fica no topo de um morro. Um tuk-tuk nos levou ao pé da colina e depois subimos uma escadaria de aproximadamente 900 degraus. O templo, em si, não oferece muito interesse, mas a vista da cidade é linda e os macacos que ali habitam são muito espertos (até abrem torneiras).





No retorno, pedimos para o motorista do tuk-tuk nos levar até o lugar onde ocorre a famosa feira de camelos, a Mela Fair. É um evento bastante exótico, mas só ocorreria dali a duas semanas. Nele, há competições de camelos (o camelo mais veloz, o camelo mais ornamentado), bem como encantadores de cobras, crianças equilibristas e campeonato do maior bigode.
Mesmo assim, pudemos ver as preparações para a grande festa, como funcionários montando os brinquedos (roda gigante, barco viking etc.) e algumas famílias acampando com seus camelos que participariam das competições. Vimos, também, barracas vendendo enfeites de camelos e pós coloridos, usados para pintar tanto os camelos quanto o chão.





No final da tarde, caminhamos pela rua do mercado, passando por um templo hindu.

Paramos em um dos ghats (portões de banho) e observamos as pessoas se banhando.


Fomos jantar em um lugar que tinha uma vista incrível do lago sagrado, chamado Sunset Café. A partir de lá, era possível ver a outra margem do lago, onde estavam realizando pujas (rituais sagrados de orações).




16/10/2017
Voltamos de Pushkar para Ajmed de táxi, após o que apanhamos um ônibus para Jaipur, a cidade rosa. A viagem durou aproximadamente 2 horas e meia. Ficamos no Hotel Utsav Niwas, bastante agradável, embora um pouco afastado do centro.

Jaipur é a capital do Estado do Rajastão e também sua maior cidade. Seu fundador, Jai Singh II, da linhagem dos Rajputs, era um guerreiro e astrônomo, que subiu ao poder com 11 anos de idade, após a morte de seu pai. Em 1876, o Marajá Ram Singh ordenou que a parte velha da cidade fosse toda pintada de rosa, para dar as boas vindas ao Príncipe de Gales (Rei Eduardo VII). Quando ele chegou ao local, apelidou Jaipur de "a cidade rosa". Atualmente, a cor rosada não se deve à tinta, mas ao material de construção das casas (terracota).

Caminhamos até o centro histórico, passando, primeiro, por uma área comercial, com largas avenidas e lojas luxuosas, após, pelos portões de entrada da cidade antiga, pelo old bazaar, finalmente chegando ao Palácio dos Ventos.

Portão de entrada do centro antigo:

Ruas do centro antigo:




Palácio dos ventos:

O Palácio dos Ventos (Wind Palace ou Hawa Mahal) é o mais belo e delicado monumento de Jaipur, lembrando um castelo de conto de fadas. Construído em 1799, ele é, na realidade, apenas uma muralha, com escadas por trás, e servia para as esposas e concubinas do marajá observarem o bazar e o movimento da rua, sem serem vistas (as mulheres casadas não podiam ser vistas em público).

Estava insuportável andar pelas ruas, pois eram os dias que antecediam o Diwali, a festa mais sagrada para os hindus, que equivale, mais ou menos, ao Natal para os cristãos. Multidões tomavam conta das ruas e lojas, fazendo compras de presentes, doces, fogos e estalinhos, entre outros.

Não podíamos deixar de vivenciar a experiência Bollywoodiana e não há melhor lugar para fazê-lo do que no luxuoso e tradicional cinema Raj Mandir, parte do roteiro turístico de Jaipur. Assistimos a um filme do tipo comédia pastelão, chamado Judwaa 2, e, embora a língua falada fosse o hindi e não houvesse legendas, pudemos acompanhar a trama com facilidade.



Jantamos no descolado restaurante do hotel Wall Street.

17/10/2017
Na parte da manhã, visitamos os monumentos do centro antigo de Jaipur. Primeiro, fomos ao City Palace, onde a família real de Jaipur continua a residir (na parte fechada ao público). O palácio começou a ser construído por Jai Singh, mas seus sucessores acrescentaram partes consideráveis até o Século 20. É uma mistura de estilos rajastani e mogul.
Ao se entrar pelo "Virendra Pol" (pol significa portão), logo se avista o "Mubarak Mahal" (palácio de boas vindas), uma construção em arcos que era um centro para receber dignitários. Em seu interior há um pequeno museu, com vestimentas reais e xales. Uma peça que chama a atenção é o roupão de Madho Singh I, de proporções gigantescas.

Viendra Pol:




Mubarak Mahal:


Segue-se, então, ao "Diwan-i-Khas" (hall de audiências privadas), um pátio aberto, de mármore rosa e branca, utilizado pelo Marajá para audiências com seus ministros. Neste pátio há dois recipientes de prata, com 1,6 metros de altura, reputado com sendo o maior objeto em prata do mundo, que foi utilizado para enviar águas sagradas do Rio Ganges à Inglaterra, para a coroação do Rei Eduardo VII, em 1902.



Seguimos para o "Diwan-i-Am" (hall de audiências públicas), onde há uma galeria de arte.
Passamos, também, pelo Salão das Armas, que abriga uma das maiores coleções de armas brancas do país.
Por fim, fomos ao pátio "Pitam Niwas Chowk", que possui quatro gloriosos portões simbolizando as quatro estações do ano: o portão da rosa simboliza o inverno; o portão verde simboliza a primavera; o portão da flor de lótus simboliza o verão; e o portão do pavão simboliza o outono.







Seguimos caminhando pelas ruas e fomos novamente ao magnífico Palácio dos Ventos.




Visitamos rapidamente o Jantar Mantar, um observatório astronômico, construído pelo rei e astrônomo Jai Singh, onde há diversas engenhocas para observar os corpos celestes, mas que, em mim, despertou pouco interesse.

Apanhamos um transporte (chamado helicóptero) até o Amber Fort, um dos pontos mais interessantes da cidade e um belo exemplo da arquitetura Rajput. Fica a 11 km do centro de Jaipur. Amber era a antiga capital do Estado de Jaipur. No ano de 1592, o Marajá Man Singh, da dinastia Kachhwaha Rajput, deu início à construção do forte, que foi posteriormente completado por Jai Singh, antes deste último mudar a capital do Estado para a atual cidade de Jaipur.




Entramos no forte pelo "Suraj Pol" (portão do Sol), que conduz ao pátio principal. De lá, uma escadaria leva ao "Ganesh Pol" (portão do Ganesh).




Depois de cruzar o "Ganesh Pol", chega-se ao "Jai Mandir" ou "hall of victory" (hall da vitória), com arcos e colunas em mármore, esculpidos em alto relevo e ornamentados com lindos mosaicos em vidro e espelho e incrustados com pedras semipreciosas, em formas florais.









 


Ao redor dos jardins internos do "Hall of Victory" há painéis em alto e baixo relevo, feitos em mármore.



Da beira da muralha, há uma bela vista do lago "Maota", que circunda o palácio, bem como dos jardins externos.

Perambulamos pelo labirinto do "Zenana", aposentos onde as mulheres e concubinas permaneciam reclusas. Estes aposentos foram projetados para que o Marajá pudesse fazer visitas íntimas a cada uma delas, sem que as outras percebessem.

São feitos passeios de elefante no local, mas não são recomendáveis, pois os animais vivem em condições bastante degradantes e sofrem maus tratos.


No caminho de volta, passamos pelo Palácio dos Lagos, construído em 1799 por Madho Singh como um resort de verão para a família real, usado, ainda, para a caça de patos.


Retornamos à cidade velha e subimos o minarete Iswari Minar Swarga Sal, para ver a vista da cidade. A subida, em forma de caracol, por uma rampa estreita e íngreme, é de tirar o fôlego, assim como a bela vista.








Havia uma grande dificuldade de locomoção em Jaipur. Muitos motoristas não sabiam o caminho e por vezes era preciso trocar de transporte. Davam enormes voltas para chegar a locais muitas vezes bastante próximos. Ao menos, nos divertimos, porque o motorista emprestou seu auto-riquexá.

Fomos tomar uma cerveja no Henry's the Pub (que, na realidade, não oferece nada de interessante e é muito caro). Depois, retornamos ao hotel para jantar.

18/10/2017
Apanhamos um ônibus local de Jaipur para uma pequena cidade chamada Abhaneri. Esta jornada de 2h30 foi bem desagradável. Tivemos de transportar as malas em assentos comuns ou sobre nós, pois não havia compartimento de bagagens. Tampouco havia ar condicionado e o calor era intenso. E o ônibus estava lotado, com alguns passageiros inclusive viajando de pé. Ao menos, pudemos interagir com a população local. Conhecemos uma família simpática que estava retornando de Jaipur, aonde haviam ido para fazer compras para o Diwali.




A chegada à vila de Abhaneri foi reconfortante, pois o Hotel Abhaneri Niwas, onde nos hospedamos, era especial.


Após um almoço delicioso, caminhamos até o principal ponto de interesse da pequena vila, que é a maior cisterna do Rajastão, datada do século VIII. Neste local, foi gravado um dos filmes do Batman.





O guia que nos acompanhou explicava as figuras mitológicas e deuses esculpidos na pedra:

Esta figura era metade homem, metade mulher - metade Shiva e metade Parvati, sua consorte.

Fomos também ao templo localizado ao lado da cisterna, chamado Harshshat Mata.


Jantamos novamente no buffet do hotel, incluído na estadia.
19/10/2017
Uma van nos levou a Agra e a viagem durou cerca de 3 horas.
Agra foi a capital do império Mogul por 130 anos, antes de ela ser transferida para Delhi.
Deixamos as coisas no hotel Karam Villas, bem confortável, onde nos hospedamos e almoçamos.

À tarde, fomos visitar a mais famosa atração turística da Índia: o mundialmente conhecido Taj Mahal.

Foi construído pelo imperador mogul Shah Jahan como mausoléu para sua terceira esposa, Mumtaz Mahal, que morreu no ano de 1631, durante o parto do décimo quarto filho do casal. A morte de Mumtaz abalou profundamente o poderoso imperador. Depois de aproximadamente 20 anos de obras e da força de trabalho de mais de 20.000 homens, o Taj Mahal finalmente foi acabado. Pouco depois, o filho de Shah Jahan, Aurengzeb, o depôs e usurpou seu trono, aprisionando o próprio pai no Forte de Agra, até sua morte. Quando faleceu, Shah Jahan também foi enterrado no Taj Mahal, ao lado de sua amada, Mumtaz.

As paredes do templo são feitas em mármore branco, incrustadas com pedras preciosas, em formatos florais e com inscrições do Alcorão - trabalho este denominado "pietradura", elaborado por arquitetos europeus levados à Índia.

Em 1983, o Taj Mahal foi reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade.










Um soldado ralhou conosco porque estávamos fazendo posições de yoga na frente do Taj, dizendo que aquilo não era permitido ali. Saímos sem entender o motivo.


Este foi um dia muito especial, pois era Diwali. Para celebrar a festa sagrada, jantamos em um restaurante muito animado, com música indiana típica ao vivo. Além disso, uma banda de rua entrou no restaurante e todos dançamos. Após o jantar, fomos ao lado externo para cumprir a tradição desta data, que é soltar fogos. Havia busca-pés, estalinhos, rojões e fogos em geral. As luzes e os ruídos dos fogos tomavam conta da rua. A simbologia por trás deste ato é a vitória da luz e do bem sobre as forças da escuridão e do mal.



20/10/2017
Hoje visitamos um templo chamado Itimad ud Daulah, mais conhecido como Baby Taj. Construído em 1622 e 1628, em mármore branco, com aplicação da técnica da "pietradura", este monumento é o mausoléu de Mizra Ghiyas Beg, avô de Mumtaz Mahal e está situado às margens do rio Yamuna.













Seguimos, então, para o Agra Fort, muito parecido, em termos arquitetônicos, com o Red Fort de Delhi. Esse massivo forte de arenito vermelho começou a ser construído em 1565 pelo imperador mogul Akbar e foi paulatinamente incrementado por seu sucessores, principalmente Shah Jahan, seu neto. De início, serviu como um uma estrutura militar, mas Shah Jahan o transformou em um palácio, o qual, após sua deposição e aprisionamento pelo próprio filho, tornou-se sua prisão, até que encontrasse a morte. Posteriormente, os britânicos usaram a fortaleza como um depósito militar.



Dentro do forte, visitamos o salão de audiências públicas e o salão de audiências privadas, em mármore branco.






Em seguida, passamos ao khas mahal, a estrutura em formato octogonal que serviu como prisão ao imperador Shah Jahan por oito anos, até sua morte, depois que seu filho, Aurengzeb, usurpou seu trono. Após falecer, seu corpo foi transportado de barco ao Taj Mahal (ao fundo na foto), onde foi enterrado, juntamente com sua amada Mumtaz. 






Passamos, também, pelo salão dos espelhos, que estava fechado para visitação.


O forte de Agra oferece uma bela vista panorâmica do Taj Mahal, o que significa que, durante o cárcere, Shah Jahan pôde apreciar sua belíssima e mais grandiosa obra arquitetônica.


Por fim, passamos pelo palácio do imperador Jehangir, que também fica dentro do complexo do forte, construído para ele por seu pai, Akbar.







Retornamos ao hotel para almoçar e descansar. Era para termos apanhado um trem noturno para Varanasi, mas ele estava com 17 horas de atraso, pois esta parte da estrada de ferro está em manutenção. Decidimos, então, ir de avião, no dia seguinte.
À noite, havia uma música ensurdecedora vinda do salão de festas. Era uma festa de aniversário de uma adolescente de 17 anos. Resolvemos olhar o movimento por detrás da porta, quando fomos vistos e, então, os convidados fizeram questão que descêssemos e dançássemos com eles. Havia DJ e pista de dança e a música era eletrônica, porém indiana. Foi muito divertido dançar com os muito receptivos adolescentes.





21/10/2017
Voamos de Agra para Varanasi, o que foi muito confortável, evitando, assim, o transtorno que é o transporte terrestre na Índia (mas que é definitivamente fundamental para você se conectar com o país).
Esta cidade já era habitada no ano de 1.200 antes de Cristo.
Quando cheguei à Varanasi, não sei se a amei ou a odiei. Levei algum tempo para entendê-la. Por fim, percebi que é o lugar mais exótico que fui nesta viagem e que me proporcionou as impressões e as histórias mais interessantes, embora esteja longe de ser a mais bela das cidades.
A cidade é sagrada para os hindus, sendo um dos lugares de peregrinação mais populares. Ela margeia o rio Ganges e ao longo das margens há degraus que nos conduzem à água, divididos em setores, chamados de ghats, utilizados para banhos. Acredita-se que um banho nas águas sagradas do Ganges redime a pessoa de seus pecados.
Nos hospedamos no Hotel Haifa, o qual, embora bem localizado, deixa a desejar em termos de conforto e higiene.
Por volta das 19h00, têm início as celebrações nos ghats, chamadas de aarti ganga, na qual sacerdotes entoam cânticos, fazem orações, queimam incenso e dançam com fogo, em homenagem ao sagrado rio Ganges (e que é representado pela deusa Ganga). Fomos assistir à cerimônia no Assi Ghat, onde recebemos pétalas de flores e lançamos velas acesas ao rio.




22/10/2017
Pela manhã, caminhamos do Assi Ghat (próximo a nosso hotel) até o Manikarnika Ghat, passando por vários ghats, sendo que neste último são realizadas a maior parte das cremações em Varanasi. Elas acontecem a céu aberto, aos olhos dos passantes. No caminho, passamos também pelo Harichandra Ghat, onde também ocorrem cremações. Lá, parei e permaneci observando o procedimento de cremação. Era possível ver as entranhas do corpo, a partir do momento que este começava a se dissolver nas chamas. É muito auspicioso para o hinduísta ser cremado em Varanasi, pois, segundo suas crenças, isso os liberta do ciclo de sofrimento do samsara (ciclo de nascimento, morte e reencarnação). Todavia, nem todos podem ser cremados: não podem se sujeitar a esse procedimento as crianças até 6 anos, gestantes, pessoas albinas, homens religiosos e pessoas que morreram picadas por cobras - estes são lançados diretamente no rio.
Ao longo dos ghats, vimos muitas coisas interessantes que caracterizam a marcante cultura indiana e os hábitos dos hinduístas.  Pessoas banhavam-se nas águas sagradas do Ganges, acreditando que isso as livraria de seus pecados (muito embora a água seja extremamente poluída). Alguns lavavam roupas, outros lavavam búfalos ou vacas. Uns ghats são mais coloridos e enfeitados, especialmente os construídos pelos governantes do sul.


















Caminhamos, também, pelas ruelas da cidade. Nesta ocasião, vimos o início da celebração funerária que culmina com a cremação: o defunto é transportado em uma maca, envolto em um manto cor de abóbora e flores, sendo carregado pelas vielas por familiares que entoam cânticos funerários. Ao chegarem à beira do rio, aspergem o corpo com a água sagrada e depois o colocam sobre o monte de toras de madeira (elas ficam empilhadas ao lado das piras e são pesadas em grandes balanças - o preço é definido pelo peso). O fogo é aceso e constantemente alimentado por  uma espécie de serragem misturada com incenso. O processo de queima é demorado, levando muitas horas. No Manikarnika Ghat observamos longamente a cremação, desde seu início.



As lojas de iogurte com frutas (lassi) também são famosas por lá. 


Voltamos caminhando e na volta paramos para almoçar na padaria Brown Sugar Bakery.
Ao por-do-sol, fizemos um passeio de barco pelo Ganges, soltando velas acesas nas águas e fazendo um pedido. O barquinho nos levou até o Dashashwamedh Ghat (o mais colorido ghat), onde estava ocorrendo outra cerimônia aarti ganga, e lá parou para observarmos esta puja.














Ao longe, avistamos mais uma vez as cerimônias de cremação (labareda de fogo nestas fotos).


Jantamos no Hotel Palace, que tem um lindo terraço com música indiana ao vivo. Músicos tocavam cítara, tabla, flauta e violão.

23/10/2017
Descansamos durante o dia e à noite apanhamos o trem noturno para Delhi. A viagem foi cansativa, mas um pouco melhor do que a primeira, talvez porque já estivéssemos nos acostumando com as particularidades de uma viagem de trem na Índia. Três casais indiano viajaram em nossa cabine, aparentando ser de classe média alta. As mulheres abriam suas tapwares com parathas (uma das espécies de pão indiano) e partiam o alimento para dar aos maridos e filhos. Eles sempre viajavam com uma quantidade imensa de bagagem, que mal cabiam no compartimento.
Mais uma vez, meu sono foi custoso e continuamente interrompido pelo bendito vendedor de chá gritando: "chai, chai, chaya..."

24/10/2017
Chegamos a Delhi pela manhã e acomodamos as coisas no hotel Perfect, o mesmo do início da viagem. Fomos visitar o templo Akshardam. É um templo relativamente novo, tendo sido construído em 2005, pelo guru Pramukh Swami Maharaj, sucessor de Bhagwan Swaminarayan, um grande líder espiritual, yogui e asceta, que viveu de 1781 a 1830 . O passeio é divertido, embora seja um tanto quanto "Disneylândia", com apresentações interativas de barco e bonecos mecânicos que contavam a história da Índia (é mais divertido do que possa soar). Não é permitido tirar fotos no interior do complexo.






Jantamos em um restaurante moderno e delicioso no bairro de Karol Bagh.
Despedimo-nos no grupo e continuamos a viagem por nossa conta.

25/10/2017
Pela manhã, apanhamos um voo de Delhi para Amritsar, capital do Estado de Punjab e centro espiritual dos sikhs. A cidade foi fundada em 1577, pelo quarto guru sikh Ram Das. Os sikhs foram muito perseguidos por outras religiões, pelos imperadores moguls, pelos britânicos e até mesmo por Indira Gandhi, sendo que um dos imperadores moguls, chamado Aurengzeb (filho de Shah Jahan e um dos líderes mais sanguinários), certa vez, convocou o líder sikh para uma reunião e o decapitou, diante dos olhos de seus próprios seguidores. A partir deste evento, os sikhs angariaram fundos para criar uma irmandade e um exército próprios. Todos eles andam armados de faca. Além disso, usam um aro de prata no pulso, não cortam seus cabelos ou barba e usam turbantes coloridos.
Fomos direto para o Hotel Abode, extremamente bem localizado. Ele fica em um boulevard, fechado para o trânsito de veículos, todo revitalizado e limpo. O templo dourado, principal atração turística da cidade, fica a apenas 100 metros dele.




Fomos então ao complexo do templo dourado, Golden Temple, e perambulamos por horas ali. Sentamos às margens do lago sagrado (piscina de néctar ou Amrit Sarovar), onde os fiéis se banham para livramento dos pecados. Acredita-se, ainda, que a água tenha poderes curativos. Das 4h00 às 23h00, continuamente, músicos entoam cânticos e tocam instrumentos, com alto-falantes que levam o som a diversos pontos do centro da cidade. A entrada ao complexo é gratuita e os sapatos devem ser deixados ao lado de fora, em um guarda-volumes, também gratuito. Todos que ali entram, devem lavar seus pés e cobrir seus cabelos (mulheres e homens). Há lenços disponíveis na entrada, cujo empréstimo é gratuito.





Os turistas e fiéis indianos que visitavam o lugar nos achavam muito exóticos e pediam para tirar fotos conosco.













As paredes externas do templo são feitas com painéis de ouro e o domo superior e feito de ouro maciço. Há uma longa fila para entrar em seu interior, onde ficam os músicos e o livro sagrado.




As paredes internas são lindamente pintadas e o chão é forrado de tapetes, mas é proibido tirar fotos (a imagem abaixo foi extraída de um cartão postal).

Jantamos no hotel e depois passeamos pelo boulevard.





Retornamos ao Golden Temple, para vê-lo à noite e iluminado pelos holofotes, que lhe dão uma cor ainda mais incrível. Assistimos à celebração da guarda do livro sagrado, que ocorre por volta de 21h40.






26/10/2017
Pela manhã, caminhamos um pouco mais pelo boulevard.




Seguimos para o Parque e Memorial Jallianwala Bagh, feito em homenagem aos 1500 indianos mortos ou feridos quando um oficial britânico ordenou que seus soltados atirassem contra protestantes desarmados, em 1919. Os buracos das balas ainda são visíveis nas paredes. Agora, no local, há um refrescante parque, com lindas flores e árvores.


Na parte da tarde, retornamos a Delhi, nos hospedando no confortável hotel Udman (aproximadamente U$40,00), que fica próximo ao aeroporto, em um bairro repleto de outlets esportivos.

27/10/2017
Voamos de Delhi para Khajuraho. Os templos eróticos desta cidade são famosos e estão listados pela Unesco como sendo alguns dos mais bem preservados do mundo. Há três grupos de templos (oeste, leste e sul), sendo que os do oeste são os melhores para visitação. Os templos do oeste, por sua vez, estão divididos entre parte cercada e parte não cercada.

Segundo a lenda hindu, a pequena vila de Khajuraho foi fundada por Chardravarman, filho do deus da lua, Chandra. 
Na realidade, estes templos foram construídos entre os anos de 950 e 1050, durante a dinastia Chandela. O local foi abandonado devido à mudança da capital do reinado, razão pela qual, felizmente, os templos permaneceram isolados e preservados contra invasores, até o ano de 1838, quando um oficial britânico descobriu as ruínas.
Dos 85 templos inicialmente erguidos, subsistem apenas 25. O estilo arquitetônico predominante é o indo-ariano e as esculturas das paredes externas revelam esculturas de reis, rainhas, guerreiros, ninfas, dançarinas, seres mitológicos, entre outros, dançando, se maquiando, fazendo sexo, dentre outras cenas do quotidiano.
Acredita-se que as esculturas eróticas foram inspiradas no livro Kama-sutra, embora não haja prova sobre isso.

Deixamos as coisas no excelente Syna Hotel.
Fomos ao complexo oeste - na parte cercadaonde estão os templos mais famosos e bem preservados da cidade. É o único grupo de templos que se paga pela entrada e visitação. Lá, contratamos um guia, sem o qual é impossível ver todos os detalhes dos templos.





Visitamos os seguintes templos:

1) Varaha Temple: é um pequeno templo que contém uma grande estátua de um javali, datada do Século 9, representando uma das 10 encarnações do deus Vishnu.

2) Lakshmana: levou 20 anos para ser completado, o que ocorreu no ano de 954.











A mulher arranhando as próprias costas simboliza a masturbação.


Há esculturas de músicos, orgias sexuais, soldados em guerra e um deles mantendo relação sexual com um cavalo.




 


Uma das esculturas mais apreciadas é aquela de uma ninfa, envolta em um sari molhado.



Esta escultura do deus Ganesh dançando também é um dos destaques do templo.


3) Kandariya Mahadev: é o maior dos templos. A cúpula é belíssima, tendo sido inspirada no monte Meru, sagrado para os hindus.






Estas esculturas de sexo grupal são as mais reproduzidas em fotos e logo remetem às lembranças dos templos eróticos.


4) Devi Jagadamba: lá estão preservadas esculturas representando Bayal ou Sardu, um ser mitológico, que relembra um leão e representa o desejo.

5 e 6) Chitragupta e Vishvanath: são similares aos demais templos, também com belas esculturas eróticas.









Retornamos ao hotel e nos sentamos no agradável jardim, onde tomamos uma cerveja.



28/10/2017
Pela manhã, visitamos o complexo leste de templos, sendo que estes não são tão famosos quanto os do oeste, mas são também interessantes.

Primeiramente, fomos aos templos próximos à vila antiga. São eles:

1) Vamana: é dedicado à reencarnação de Vishnu na forma de um anão.










2) Javari: é um bom exemplo da arquitetura de Khajuraho.


O dragão confere proteção e fica sobre a porta de entrada:



Detalhe do teto:


Mulher ninando um bebê:


3) Brahma: é um dos mais antigos, datando do ano de 900. Fica na beira de um lago.






Ao lado dos templos, há uma charmosa vila, muito antiga, referida como old village. O tuk tuk parou e um simpático guia local já veio nos oferecer seus serviços. Ele nos conduziu, a pé, pelas estreitas ruelas, salpicadas de pequenas casas brancas com telhados de pedra, calçadas ornamentadas com lindos desenhos coloridos e pequenos templos de adoração. Um passeio aqui nos remete diretamente ao passado, principalmente quando vemos os simpáticos moradores pegando água em poços ou bombas manuais.















 




Seguimos, então, para os templos do complexo leste - Jain enclosure, que são templos jainistas, no interior de um cercado. Há três templos:

1) Shanti Nath:



O interior do templo Shanti Nath é ornamentado com esculturas e pinturas jainistas.










2) Parsvanath: tem famosas esculturas, como as de ninfas aplicando maquiagem e retirando um espinho do próprio pé.

 






3) Adinath: em seu interior, há uma imagem jainista.









Volta para o hotel, almoçamos e apanhamos o voo de volta para Delhi.
Dormimos no Atrio Hotel em Delhi, que tinha um ótimo buffet.

29/10/2017
Às 7h00, deixamos Delhi e voamos para o Nepal (outra postagem).

E aqui terminou nossa mágica viagem à Índia, que nos proporcionou experiências inesquecíveis e a certeza de que um dia iremos retornar.