sábado, 19 de agosto de 2017

Bali

Embarcamos nesta exótica viagem no ano de 2008, em nossa lua de mel. Tão novidade quanto seria a vida a dois, foi essa jornada ao Oriente. 
Fomos a seis países: África do Sul, Suazilândia, Tailândia, Camboja, China (apenas Hong Kong) e Indonésia (apenas Bali). 
Nesta próxima série de postagens, transcreverei o que registrei em papel, naquela ocasião.

O Oriente, muito mais fascinante que o Ocidente, guarda segredos ainda indesvendados. Uma ida àquele pedaço do globo não se trata de uma simples viagem: é uma imersão em um mundo absolutamente fantástico e muito discrepante do nosso, mudando nossa forma de vê-lo, para todo o sempre.

BALI

A exótica Ilha de Bali não se resume ao surfe e às praias de ondas perfeitas: está muito além disto. É um pedacinho de terra, banhado por águas cristalinas e permeado de tesouros arquitetônicos, históricos, culturais, religiosos, artísticos e, é claro, naturais.
Algumas informações sobre a ilha:
A ilha de Bali faz parte da República da Indonésia, que já foi colônia da Holanda.
A Indonésia, por sua vez, é o maior arquipélago do mundo, contando com aproximadamente 17 500 ilhas, dentre elas, as ilhas de Java, Lombok, Sumatra, Timor, Nova Guiné, etc., sendo Jacarta a capital da República.
Em Bali, a língua oficial é o balinês. A ilha tem seu próprio governante, que estimula fortemente a produção artística. Assim, encontramos na ilha diversos vilarejos especializados em determinada arte, por exemplo, esculturas em pedra, artefatos em prata e ouro, pinturas em tela, máscaras em madeira, entre outros.
Utiliza-se em Bali a mão inglesa (no trânsito).
No ano de 2008, os preços de hotéis e restaurantes eram extremamente baixos (era possível hospedar-se em um enorme bangalô, com piscina, por apenas U$15,00/30,00), mas não sei informar como está a situação atualmente.
Breve história de Bali
Bali já é habitada há mais de 3000 anos. O hinduísmo, religião predominante na ilha, aqui foi difundido no século XI. O islamismo também é uma religião muito presente. Entretanto, os indonésios, nos primórdios, eram “animistas”, ou seja, acreditava que todos os objetos, fossem animados ou inanimados, tinham uma força, uma alma. Acreditavam em vida após a morte e faziam oferendas aos espíritos para aplacar sua ira.
No século XIII (mais precisamente, em 1294), foi fundado o reino de Majapahit, sob o comando de Gajah Mada, e esse reino compreendia boa parte do que é hoje a Indonésia. Ao final do século XVI, esse reino dissolveu-se e os estados tornaram-se independentes, sendo que alguns deles se tornaram sultanatos, por influência do islamismo.
Para os Europeus, a Indonésia era "as índias”. Os primeiros europeus que ali pisaram também foram os portugueses, sob o comando de Vasco da Gama, quando este contornou o Cabo da Boa Esperança pela primeira vez. Ao longo do caminho, eles acabaram por colonizar alguns portos (Maluku, Melaka, Macau, Goa, Angola e Moçambique).
O interesse dos holandeses foi despertado pelas especiarias que havia na Indonésia e estes também iniciaram expedições de exploração das “índias”. Para tanto, o governo holandês amalgamou as empresas exploradoras concorrentes e criou a Companhia das Índias do Leste. Com isso, eles ganharam força e conseguiram derrotar e expulsar os portugueses do território, passando a ocupá-lo. Houve combates com a população local e muitas mortes, mas os holandeses acabaram por conseguir fundar um império na Indonésia (Séc. XVII). Em 1780, os holandeses perderam o monopólio do comércio de especiarias, após uma batalha com os ingleses e, em1799, a Companhia das Índias Orientais foi dissolvida. Em 1825, houve a guerra de Java, contra os holandeses, com o apoio dos ingleses. A Indonésia só se livrou do subjugo dos holandeses em 1942, passando a ser dominada pelos japoneses, obtendo a independência apenas em 1945, após a segunda guerra mundial.
15/06/2008
Voamos de Bangkok para Jacarta e desta última para Bali, chegando ao aeroporto por volta das 10h00 do dia seguinte, onde alugamos um carro.
As estradas são estreitas e os motoristas são malucos. Ou seja, o trânsito é caótico, mas alugar um carro ou uma lambreta é uma excelente forma de explorar a ilha.
Passamos por Jimbaran, uma praia próxima ao aeroporto, sendo que a pista de pouso chega mesmo a adentrar o mar. A vila é extremamente turística e superpopulosa, com muito trânsito, e a praia nada tem de especial.

Rumamos, então, para a charmosa Ubud, uma cidade mais tranquila, no coração da ilha. No caminho, passamos por diversos vilarejos, sendo que cada um era morada de artistas especializados em determinada arte, os quais expunham suas obras nas varandas de suas casas e na beira da estrada.


Passamos por Batubulan, vila cuja especialidade é escultura em pedra; Celuk, que oferece peças em ouro e prata; Sukawati, onde se produzem cestos de vime e Batuan, com lindas pinturas em tela.



Em Batubulan, paramos para conhecer o templo hinduísta Pura Puseh, de cores terracota e cinza, ornamentado com esculturas de demônios balineses.


Em Ubud, nos hospedamos no hotel Munut Bungalows, que oferecia quartos enormes e aconchegantes banheiros ao ar livre, por um preço de aproximadamente U$60.00 (preço referente ao ano de 2008). Pernoitamos em Ubud praticamente todas as noites, embora durante o dia percorrêssemos toda a ilha.
 Jantamos um delicioso churrasco de camarão na vila.


16/06/2008
Após o café da manhã, apanhamos o carro alugado e rumamos para o lado oeste de Bali. Saindo de Ubud, já pudemos avistar magníficas plantações de arroz, que rodeiam todas as vilas.


Nossa primeira parada foi em Sangeh, a floresta de macacos. Há dezenas, talvez uma centena deles povoando este bosque. Eles não são nada tímidos e podem até mesmo te escalar, em busca de comida. Havia macacos de todos os tamanhos e idades, inclusive alguns filhotes. É bom ficar atento, pois há relatos de macacos subtraindo óculos escuros, máquinas fotográficas e outros objetos que costumamos carregar no corpo.




Para os hindus, o macaco é um animal sagrado. Segundo a mitologia hindu (histórias que constam do grande épico hindu Ramayana), Hanuman, o endeusado macaco branco, carregava o sagrado monte Meru nas costas, quando derrubou um pedacinho da terra, junto com pequenos macacos, que se transformou nesta floresta, Sangeh.
Continuamos na dificultosa estrada e a parada seguinte foi o templo Taman Ayun, em Menguri. Este templo foi construído em 1634 e serviu de sede do governo até 1891. O gramado da parte interna é de um verde bem vívido e o templo conta com vários “merus” (telhado com várias camadas de palha). É um dos mais importantes em Bali. 




Na mesma cidade, paramos no templo Kapal Pura Sadat.

Seguimos para o templo Tanah Lot, que é o mais famoso de Bali, por ser no topo de uma rocha que pende para o mar. Foi construído na época do reino Majapahit e data do século XVI. Eu fiquei um pouco decepcionada, pois o local estava abarrotado de turistas e não se pode entrar no templo. Além disso, é difícil visualizar a construção, por causa das árvores. Mas vale a pena a visita.



Passamos pelo ritual da “bênção”, que consiste em molhar as mãos nas águas de uma fonte, receber uma flor e grãos de arroz na testa (tudo mediante uma “doação” de 10.000 rúpias).
Caminhamos um pouco pela costa, por uma passarela construída na margem, e avistamos outros templos, como o belo (e vazio) Batu Bolong.


Continuamos dirigindo pela estrada que margeava a costa da ilha, rumo ao oeste. Vimos algumas praias de areia preta, bem como magníficas plantações de arroz, a se perder de vista (Balian Beach, Medewi Beach).
Visitamos o templo Rambut Siwi, na orla marítima, construído durante o império Majapahit, século XVI. Um segurança veio nos acolher e pediu que cobríssemos as pernas com uma canga. Subimos as escadarias que conduziam ao templo. Abaixo do templo principal e literalmente na areia da praia, há outro templo menor.






O retorno para Ubud foi estressante, pois além de ser aterrorizante dirigir por aquelas estreitas estradinhas à noite, a sinalização é parca, sendo que nos perdemos diversas vezes. Ao menos, nestes erros de percurso, vimos coisas interessantes, como moças levando oferendas ao templo para cerimônias.
Chegando a Ubud, fomos jantar em um restaurante muito agradável, a céu aberto e com muitas árvores, plantas, fontes e pequenas lagoas. Havia mesas e tatames, cobertos por tendas.


17/06/2008
Apanhamos o carro alugado logo cedo e fomos explorar as regiões centro e norte da ilha.
A primeira parada foi Goa Gajah, uma caverna com esculturas na rocha externa.
Seguimos para a vila Bedulu, que já foi a capital do reino. Lá, visitamos o templo Pura Samuan Tiga. Sobre o altar havia diversos instrumentos musicais típicos.



Continuamos até a vila de Pejeng, que também foi a capital do reino. Visitamos dois templos: Pura Pusering Jagat (onde casais jovens vão para fazer suas orações) e Pura Penatarm Sasih.
Os templos desta região são muito parecidos, todos em tijolos terracota e ornamentos em pedra esculpida, com representação de demônios e deuses hindus (Shiva, Vishnu, Brahma, Ganesh, etc.).
Fomos, então, para Tampaksiring, a vila que abriga o Gunung Kawium, um dos monumentos mais antigos de Bali. Descemos uma escadaria até o vilarejo, que fica no fundo de um vale. A vila é cercada por plantações de arroz e há um rio que corta o monumento ao meio, onde pessoas se banham, inclusive, algumas, nuas. Além do templo, havia dez blocos de rocha esculpida. No local há diversas tendas vendendo artefatos decorativos, roupas, cangas, entre outros.



De lá, rumamos ao vulcão Gunung Batur, por uma estradinha sinuosa que leva até sua cratera. Esta, por sua vez, é parcialmente preenchida por um lago, o lago Batur.



O único problema é que não se pode apreciar a bela vista em paz, sem o assédio de dezenas de vendedores.
Do outro lado do vulcão, um mar de basalto.
Seguimos, então, para o norte da ilha. Passamos pelo templo Kubutambahan e continuamos até chegar ao templo Pura Beji, na vila de Sangsit. Os templos do norte são mais trabalhados, em termos arquitetônicos.




Rumamos para o outro vulcão, o Batukau, que avistamos apenas de longe. No caminho, passamos pelos lagos que ficam em seu sopé. Em um destes lagos, o Bratan, está localizado um dos templos mais bonitos que vimos em Bali: o Pura Ulun Danau. Ele tem influências budistas e hinduístas e data do século XVII, tendo sido dedicado à deusa das águas Dewi Danau. O jardim que o cerca também é muito bonito.





Assistimos a um pôr-do-sol rosado, por detrás dos vulcões. Realmente, especial.
À noite, fomos assistir a um espetáculo de dança Legong, típica da ilha de Bali, muito interessante.


18/06/2008
Logo que acordamos, fomos finalmente passear um pouco em Ubud, onde estávamos hospedados, pois era o dia de deixar aquela linda vila. Visitamos galerias de arte, tanto modera quanto tradicional.
Fomos, também, à floresta de macacos, Monkey Forest. Eu já havia sido prevenida de que os macaquinhos furtam nossa comida. Levei, então, um pacote de chocolate para distribuir aos animaizinhos, mas eles, ao invés de apanhar alguns pedaços, tomaram de assalto o pacote inteiro. Levamos, também, algumas bananas, que compramos na entrada, e fomos distribuindo aos poucos. Os mais velhos furtavam dos menores. Ficamos um bom tempo observando os macacos e seus cômicos hábitos. Os pequeninos escalavam árvores; alguns “aduladores” tiravam piolhos e pulgas dos mais velhos e alguns até brigavam por comida. Dois pularam sobre mim e eu, ao contrário do que recomenda o regulamento, saí correndo e gritando, apavorada.




Deixamos a floresta e subimos a rua Monkey Forest, parando em lojinhas de artesanato.
Finalmente, apanhamos o carro e deixamos a vila.
Paramos, então, na cidade de Mas, cujas especialidades são máscaras decorativas de madeira. Visitamos uma galeria e pudemos ver um escultor trabalhando em uma.
Seguimos para o leste da ilha, margeando a costa.
Paramos em Goa Lawah – Bat Cave, um templo com uma caverna completamente forrada de morcegos. Estava havendo uma cerimônia no local. Os devotos, vestidos com roupas típicas balinesas, faziam oferendas, acendiam incensos e oravam. Havia, também, muitos vendedores ambulantes, assediando para que comprássemos seus produtos.




Continuamos e passamos por Padangbai, onde há um pequeno porto e uma baía com barcos de pesca.
Seguimos até a vila Tenganan, que é uma típica vila bali aga, de balineses tradicionais que antecedem a chegada do reino Majapahit. A vila é murada e suas ruas são de pedra. As casas são geminadas, com telhado de palha. Havia uma espécie de balanço ou pêndulo na praça principal. Havia, também, vacas e galinhas caminhando pelas ruelas e alguns habitantes faziam briga de galo. Vimos diversas lojas de artesanato, principalmente de máscaras balinesas.





Por fim, passamos por Candidasa, uma pequena vila, e paramos na vila de Puri Bagus para dormir. Hospedamo-nos em um SPA, chamado Puri Bagus Villa. Não era muito caro, pelo que oferecia (pagamos cerca de U$100,00). Terminamos a tarde tomando cerveja na beira da piscina e, mais tarde, recebendo uma deliciosa e relaxante massagem, na sala de massagens. À noite, jantamos com vista para o mar e depois relaxamos no quiosque suspenso que pertencia a nosso quarto, também de frente para o mar.



19/06/2008
Acordamos cedo para aproveitar o hotel. Tomamos um bom café da manhã (o melhor da viagem) e fomos para a piscina. A praia, por sua vez, não era aproveitável, pois era quase inexistente, não sei se devido à erosão ou porque aterraram para construir o hotel. Ainda assim, a vista era bonita.
Partimos na hora do almoço, rumo ao vulcão Gunung Angung. Paramos no templo Besakih, um dos mais importantes de Bali. É um complexo de 23 templos, que foram construídos em épocas diversas, sendo que o mais antigo data do Séc. VIII. Fomos forçados a pagar um guia que se dizia segurança do templo e argumentava que não poderíamos entrar se acompanhamento. De qualquer forma, não foi tão caro assim (U$4,00) e, por vezes, é melhor sucumbir do que ficar aguentando a perturbação destas pessoas insistentes.









Já era hora de ir ao aeroporto. Quase perdemos o voo, por causa das estradas caóticas (levamos quase 3 horas para percorrer apenas 60 km), então o melhor é se programar para sair com bastante antecedência.
Por fim, apanhamos o voo de retorno para Bangkok (Tailândia), continuando nossa incursão pela Ásia.