domingo, 22 de janeiro de 2017

Hong Kong (China)

Hong Kong

Acabamos passando por Hong Kong por acaso, durante uma conexão do voo que ia da Tailândia para o Brasil, no ano de 2008. Fracionamos a passagem, para lá permanecer por dois dias.
Chegamos às 22h00 no aeroporto. Após trocar dinheiro, deixamos as malas maiores em um locker, saindo, apenas, com mochilas.
Para nossa surpresa, o albergue YMCA custava a fabulosa quantia de U$140,00. Então decidimos apanhar um ônibus no aeroporto, descendo na Natham road, na península de Kowloon, centro comercia de HK, para procurar um albergue com um preço mais acessível.
Há milhares de lojas, edifícios, painéis luminosos, outdoors e transeuntes nesta avenida. É uma cidade pulsante. 
Na busca de um local para passar a noite, tudo o que vimos foram alojamentos assustadores, em cortiços, onde acabamos ficando. A noite de sinistro prenúncio foi salva por uma cerveja gelada em um agradável PUB, naquela mesma rua. Ou seja, bateu aquele arrependimento de não ter optado pelo YMCA.

21/06/2008
Pela manhã, fomos fazer compras de eletrônicos. Muitas lojas, muita gente, muitas cores, muita informação, muita poluição visual!
Já fartos do comércio, fomos fazer um passeio, apanhando um ônibus circular até o Stanley Market, na ilha de Hong Kong
O caminho é muito bonito. Pudemos avistar, além de edifícios, montanhas, a orla e praias famosas, como a Repulse Bay. O mercado fica em um local bem agradável: na ponta meridional da ilha, onde há um calçadão margeando a orla, repleto de cafés, bares e restaurantes. Sentamos em um PUB, de frente para o mar.


Na volta, apanhamos um ônibus até o porto e atravessamos a baía de Hong Kong de balsa. Chegamos do outro lado e caminhamos sobre a passarela, de onde se tem uma magnífica vista da baía. 
É realmente impressionante. Dezenas de arranha-céus na beira do mar, iluminados com cores diversas, além de painéis, formavam um lindo caleidoscópio. Algo um tanto semelhante a Nova Iorque, porém, muito mais exótico. 
Barquinhos típicos cruzavam o canal, conduzindo turistas. 




Acabamos resolvendo passar a noite no YMCA, por U$200,00, porque não havia nada mais barato e com instalações minimamente razoáveis. Ao menos, o quarto, que parecia mais um flat, era enorme e contava com várias facilidades. E a vista da janela era incrível, dando para a baía de Hong Kong.

22/06/2008
Dia de voltar para casa! Mas antes, um pouquinho de turismo. 
Pela manhã, fomos de metrô até o templo Sik Sik Yuen Wong Tai Sin, um dos mais populares de Hong Kong, já que as três principais religiões praticadas na China, budismo, taoismo e confucionismo, são exercidas aqui.







A uma estação de metrô dali, há um belíssimo jardim, chamado Nan Lian, no estilo da dinastia Tang. Há uma torre principal dourada, dentro do lago, que é repleto de flores de lótus e carpas. 
Nos fundos, há uma construção de madeira, toda entalhada, abrigando altares e estátuas de Buda.













Fomos, por fim, ao lindo templo taoista Fung Ying Seen Koon.



Infelizmente, não conseguimos visitar o famoso Big Buda, um dos maiores existentes ao ar livre, porque não chegamos a tempo (a viagem de metrô demorou muito).
Partimos, então, rumo ao aeroporto, para retornar a casa.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Camboja

Embarcamos nesta exótica viagem no ano de 2008, visitando seis países: África do Sul, Suazilândia, Tailândia, Camboja, China (apenas Hong Kong) e Indonésia (apenas Bali). 
Nesta próxima série de postagens, transcreverei o que registrei em papel, naquela ocasião.

O Oriente, muito mais fascinante que o Ocidente, guarda segredos ainda indesvendados. Uma ida àquele pedaço do globo, não se trata de uma simples viagem: é uma imersão em um mundo absolutamente fantástico e muito discrepante do nosso, mudando nossa forma de vê-lo, para todo o sempre.

CAMBOJA

11/06/2008
Viajamos da Tailândia até o Camboja, aterrizando na cidade de Seam Reap (não é a capital, mas é uma das principais cidades do país). Chegando no final da tarde, fomos perambular pela graciosa cidadezinha. Em Seam Reap encontrei a paz que procurava no Oriente, até então, sem encontrar. A cultura local é bastante preservada e muito menos corrompida pelo ocidente.
A cidade é cortada ao meio por um rio, que leva o mesmo nome: Seam Reap.


À noite, passeamos no Night Market, mercado com tendas, vendendo toda a sorte de coisas, e cruzamos um boulevard repleto de restaurantes e bares. Paramos em um bar temático muito legal, na Pub Street, chamado "Temple", todo decorado com estátuas em estilo khmer, que recriavam aquelas do templo Angkor Wat.


Assistimos a danças típicas (dança das Apsaras, ou ninfas; dança do pavão; dança do côco, entre outras).



Depois, fomos jantar em um restaurante chamado Amok e pedimos o prato de igual nome, que é a comida mais típica do Camboja (pode ser feito com frango ou peixe e leva leite de coco e especiarias).



12/06/2008
Pela manhã, um taxista nos apanhou no hotel e nos levou para conhecer os templos do complexo de Angkor. Ao chegar no local, fomos cercados por uma horda de garotinhas tentando vender souvenires e que ficavam muito bravas se recusássemos.
Começamos a visitação pelo maior e mais famoso templo: o Angkor Wat, cartão postal do Camboja. Construído no séc. XII pelo rei Suryavarman II, esse monumento, no mais refinado estilo arquitetônico khmer, representa o monte Meru, que equivale ao céu, para os hindus. Era a capital do império khmer, o qual se estendia de Mianmar até o Vietnã e durou do século IX ao XV.
O templo é dedicado ao deus Vishnu. Foi, ainda, utilizado como mausoléu para as cinzas do rei que o construiu.




Além das cinco torres centrais, outro ponto de interesse é a galeria que circunda o templo, com imagens esculpidas em alto e baixo relevos, retratando cenas de batalhas, bem como cenas da vida cotidiana e personagens da mitologia hindu (dos clássicos Ramayana e Mahabharata).


Ao redor do templo, grandes reservatórios de água servem para irrigação e representam águas sagradas que contornam o monte Meru.

Seguimos, então, para o complexo de templos de Angkor Thom, construído ao final do séc. XII, por Jayavarman VII. É um dos maiores templos do império khmer e foi a última capital, por um período de cinco séculos. Atravessamos uma passarela margeada por estátuas de deuses e demônios e adentramos o complexo por um de seus magníficos portões.


O primeiro e mais interessante templo desse complexo é o Bayon, com várias faces do rei, esculpidas em pedra.







Caminhamos até o templo Baphon, construído no séc. XI, mas que estava fechado para restaurações.
Seguimos, passando pelo terraço dos elefantes (que era palco de cerimônias e celebrações), com esculturas de elefantes, e terraço do Rei Leproso, com esculturas de deuses, demônios, apsaras (ninfas) etc.


O templo seguinte chamava-se TaKeo, com estrutura piramidal e aproximadamente 55m. de altura. Subimos até o topo, momento em que começou a chover torrencialmente, tornando a descida um pouco escorregadia.
Fomos almoçar ali perto e seguimos ao templo Ta Prohm, cenário do filme Tomb Raider, com Angelina Jolie. Este templo, diferentemente dos demais, não foi restaurado desde sua descoberta pelos franceses. Gigantes árvores o abraçaram com suas longas e grossas raízes, conferindo um clima místico ao local.






Passamos, por último, no templo Banteay Kdei e demos uma olhada rápida, pois estávamos exaustos por causa do calor e umidade.
Retornamos ao hotel, descansamos um pouco e, à noite, fomos jantar no restaurante Le Tigre de Papier.

13/06/2008
Acordamos e, depois do café da manhã, o mesmo taxista nos apanhou.
A primeira parada foi Kbal Spean. Trata-se de um trecho do rio Seam Reap (com aproximadamente 150 m. de extensão), onde as rochas do leito contêm esculturas em relevo, retratando os três deuses hindus, Shiva, Vishnu e Brahma, além de centenas de "lingas" (que é um símbolo fálico representado sexualidade e, portanto, fertilidade).
Acredita-se que a água que passa pelas lingas se torna fértil e sagrada.
Fizemos uma trilha na mata, de meia hora, para chegar lá.




Seguimos, então, para o templo Banteay Srei. Este templo data do séc. X e foi construído por um conselheiro do imperador. Não é grande, mas é extremamente bem elaborado, com muitos detalhes esculpidos na pedra. É também chamado de "Cidade das Mulheres" ou "Cidade da Beleza". Há esculturas em alto e baixo relevo de figuras mitológicas, cenas de batalhas etc.
 




Fomos almoçar e seguimos para uma vila flutuante, composta de casebres, muito humildes, que se estendem por um braço do lago Tonlè Sap, o lago mais importante do Camboja, e migram de lugar, conforme a estação do ano. Além de casebres, há escolas, templos, mercearias, bares etc., sendo a pesca a principal atividade.




Voltamos para o hotel, para tomar banho e descansar um pouco e, à noite, fomos ao Night Market. Jantamos uma pizza em um dos restaurantes do boulevard e tomamos uma cerveja no bar "Temple".

*Breves notas sobre a história do império Khmer e Camboja moderno:
O império Khmer perdurou entre os séculos IX e XIV e foi um dos mais importantes da Ásia, estendendo-se do atual Mianmar até o Vietnã, sendo Jayavarman II seu primeiro rei. Sua capital era a cidade de Angkor. 
Após o séc. XIII, Angkor sofreu constantes invasões pelos tailandeses, o que contribuiu para a mudança da capital para Phnom Penh, em 1432. 
Os três séculos seguintes à queda do império Khmer foram marcados por dominações pelos estados vizinhos, Tailândia e Vietnã. 
Em 1863, o rei Norodom buscou a proteção da França e o Camboja tornou-se um protetorado francês, com relativa autonomia, quando, finalmente, em 1953, tornou-se totalmente independente, sob o reinado de Norodom Sihanouk. 
Quando se instaurou a guerra do Vietnã, após um golpe de estado, o rei do Camboja uniu-se ao partido comunista Khmer Rouge para retomar o poder e expulsar o governo pró-Estados Unidos recém instalado, o que deu causa à guerra civil. Por outro lado, os Estados Unidos passaram a bombardear o Camboja, para eliminar bases comunistas dos vietcongues. 
Com boa parte do país arrasada, o partido Khmer Rouge passou a recrutar voluntários e tomou o poder em 1975, liderado pelo sanguinário Pol Pot. Eles ordenavam a evacuação das cidades e forçavam a população a marchar para o campo, para reconstruir a agricultura do país nos moldes do século XI (comunismo agrário). Aboliram tudo que vinha do ocidente, inclusive a medicina. Eram torturados e mortos todos aqueles que fossem ligados ao governo antecessor ou a governos externos, bem como os profissionais e intelectuais, além dos vietnamitas, chineses, cristãos, muçulmanos, budistas, homossexuais e pessoas consideradas urbanizadas. Aproximadamente 3 milhões de pessoas morreram. 
Em 1978, o Vietnã invadiu o Camboja para frear suas incursões. Após mais de uma década de batalhas, finalmente, em 1991, a paz foi atingida. Um grupo de comunistas moderados substituiu Pol Pot no poder. 
Em 1996 o Kher Rouge foi dissolvido. 
Em 1998 Pol Pot faleceu, sem nunca ter sido punido por seus abomináveis crimes. 
Um novo rei foi eleito em 2004 (este rei era bailarino). O país ainda sofre as sequelas do terror destes últimos anos, embora esteja se reconstruindo. 

14/06/2008
Passamos a manhã no hotel. Na hora do almoço, fomos ao Old Market comprar temperos, onde encontramos, além de frutas exóticas, até mesmo insetos caramelizados, para o consumo humano.


Almoçamos novamente no restaurante Amok e seguimos para o aeroporto. Deixamos Seam Reap, rumo a Bangkok. De lá, para Jacarta e de Jacarta para Bali, chegando às 10h00 do dia seguinte (relatos em outra postagem).